Luke

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Este é o Luke, um Shih Tzu de cinco anos (informações sobre a raça aqui).

Ele é meu aluno de Adestramento, um cãozinho muito tranquilo, quase não late, não faz bagunça. A dona dele é a D. Maria Helena, uma senhora idosa. A empregada da casa é a Eliane, que passeia com ele todos os dias, e tem também as cuidadoras da D. Maria Helena.

O Luke é literalmente aquele cachorro “criado pela vó”. Ele tem o perfil ideal para uma casa com idoso, mas também por causa disso não teve a socialização adequada, e hoje tem alguns problemas de comportamento. Às vezes ele é agressivo com outros cães na rua, principalmente com outros machos, não sabe interagir, nem brincar e não gosta muito de sair.

A socialização do filhote é fundamental para que ele aprenda a lidar com situações novas de uma forma saudável, e deve continuar por toda a vida dele. Se o cão não é socializado com outros cães, ele não aprende a reconhecê-los como da própria espécie, e pode desenvolver medo ou agressividade.

O Luke já melhorou bastante desde o começo do treinamento, mas às vezes ele ainda se mostra agressivo e não quer interagir. Na praça ele não se interessa por outros cães, não fica muito à vontade. Também já melhorou bastante nos passeios, antes não tinha como fazê-lo andar se ele não quisesse. Em casos como este é necessário primeiro dessensibilizar o cão, fazendo com que os estímulos que ele considera negativo não tenham mais impacto, e depois fazer uma associação positiva. Isso, em geral, leva bastante tempo.

O treinamento dele é um desafio para mim. Primeiro porque ele não se interessa por muita coisa, então foi difícil achar um estímulo que o fizesse prestar atenção em mim e querer colaborar. Além disso, a D. Maria Helena sofre de mal de Parkinson, então eu preciso adequar os comandos às possibilidades dela (ela fala baixo e faz movimentos mais devagar). E morando numa casa só com mulheres, ele é bem mimado, elas deixam ele comer algumas coisas que não poderia, e assim fica difícil estabelecer limites claros para o cão.

Existem vários estudos que mostram os benefícios da convivência com animais para pessoas doentes. A Terapia Assistida por Animais é feita em diversos hospitais e clínicas, além de ajudar pessoas com dificuldade de aprendizagem e relacionamento. Não tenho dúvidas de que o Luke faz bem à D. Maria Helena, e a convivência com ele poderia ser explorada, por exemplo, na fisioterapia dela (brincar de bolinha, fazer o adestramento). Mas também é importante que a família do idoso (ou paciente) esteja atenta às necessidades do animal, promovendo uma socialização adequada, passeios regulares, brincadeiras e estímulos que desenvolvam os comportamentos adequados à espécie.

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