Socialização da Madalena

Há algumas semanas a Madalena tomou a vacina contra raiva, finalizando o esquema “obrigatório” de vacinação. Ela tomou as três doses da vacina múltipla (V8 ou V10) que protege contra várias doenças, como cinomose, parvovirose, leptospirose, etc.
A vacinação do filhote e a manutenção quando adulto são muito importantes para evitar doenças que podem ser fatais.

Uma coisa que as pessoas costumam fazer é “trancar” o filhote em casa durante esse período, só colocando o focinho (dele) para fora na hora de ir ao veterinário. É importante proteger o cãozinho do contato com animais que podem não estar vacinados, mas trancá-lo dentro de casa nesse período pode ser ruim para a saúde mental dele.

Mais ou menos entre 3 e 12 semanas de vida ocorre o período sensível de socialização. Nessa fase, o cérebro do filhote está amadurecendo e ele passa por mudanças comportamentais muito rápidas. É o melhor período para mostrar o mundo ao seu cãozinho, pois ele está mais “aberto” a lidar com situações novas e nessa fase é que ele vai construir as relações sociais.

Nós podemos ajudar a socialização do filhote, expondo-o a uma grande variedade de estímulos diferentes. É importante que ele tenha contato com outros animais, principalmente da mesma espécie, para aprender comportamentos típicos e formas de comunicação, com pessoas de “vários tipos”, com situações cotidianas, como andar de carro, ir ao veterinário, passear na rua, ser manuseado, e com objetos estranhos, como aspirador de pó, secador, etc. Mas não é simplesmente expor o cachorro, temos que ter o cuidado de fazer uma apresentação lenta e gradual, sempre associando o estímulo novo com coisas positivas (carinho, brincadeira, comida, etc.).

Vou contar como fizemos com a Madalena. Logo que ela chegou chamamos todo mundo para vir em casa, amigos, família… Quase todo final de semana reunimos conhecidos, para acostumá-la com muitas pessoas e barulho. Essa parte não foi problema, pois ela é a simpatia em forma de cachorra e abana o rabo para qualquer um que olhar para ela.

Eu procurava sair todo dia com ela. No começo ficava só alguns minutos na área comum do prédio, com alguns carros passando, pessoas andando e conversando. Nos primeiros dias ela ficou com um pouco de medo, mas depois se acostumou, e aí passei a dar pequenas voltas (no quarteirão). Conforme ela foi se acostumando com o aumento de estímulos (mais movimento de pessoas, carros, outros cães) fui aumentando o percurso. Sempre que íamos na Cobasi ela ia junto, levamos na Praça do Por do Sol, e em outros lugares.

Ela sempre estava no colo. O filhote nunca pode andar no chão em lugares públicos, pois pode haver secreções de cães contaminados. Quando nós encontrávamos pessoas com cães na rua, se a pessoa se aproximava eu pedia para manter o cão longe, explicando que ela ainda não estava protegida. Sendo educada as pessoas entendem a situação sem maiores problemas, e todo mundo queria fazer carinho nela, porque ela é linda!

Madalena na Praça do Por do Sol.

Quase todo final de semana fomos (e ainda vamos) na casa da minha sogra, para ela interagir com a Maggie (uma Pastor Alemão) e a Pietra (uma Daschund). Essa parte também foi tranquila porque, como diz o Marcelo, a Maggie é a melhor cachorra do mundo. Ela é muito boazinha, e recebeu a Madalena super bem! A Pietra é nada sociável, mas ela ficou escondida embaixo das cobertas…
Nessas apresentações é fundamental escolher cães dóceis, nada agressivos ou possessivos com pessoas, objetos, comida, etc., que estejam com a vacinação em dia e com controle de parasitas.

Pietra, Maggie e Madalena.

Outro exemplo de socialização foi acostumá-la com o aspirador de pó. A introdução foi bem gradual. Nas primeiras vezes eu só coloquei o aspirador do lado dela e deixei ela investigar. Depois que ela se acostumou, comecei a mexer o aspirador, ainda desligado, sempre dando comida do lado dele. O próximo passo foi ligá-lo por alguns segundos. Toda vez que eu ligava dava comida, e quando desligava parava de dar. Isso fez com que ela associasse o barulho e o movimento com coisas boas, e hoje ela nem liga para o aspirador, até gosta de brincar com ele. Fizemos a mesma coisa para outros objetos estranhos ou barulhentos, como a máquina de lavar roupas, liquidificador, secador de cabelo, tábua de passar roupa, etc.

Todos esses processos são fundamentais para criar um cachorro mais equilibrado, que sabe lidar com as mais diversas situações. Uma socialização bem feita pode prevenir futuros problemas comportamentais!
Mesmo assim, não há garantias de que o cão vai ser perfeito. A Madalena, por exemplo, tem um pouco de medo de cachorros grandes (só no começo, depois ela acostuma) e ainda fica assustada com muito movimento na rua (principalmente motos e caminhões). Mas tenho certeza de que se nós não tivéssemos feito toda essa preparação seria muito pior. Ela adora brincar com outros cães na pracinha, lida muito bem com visitas em casa e com pessoas na rua.

Também não podemos achar que a socialização deve ser feita só até 12 semanas! Nesse período o processo é facilitado pelas mudanças que estão ocorrendo no filhote, mas a socialização é um processo para a vida inteira, mesmo para os velhinhos, e devemos sempre apresentar novos estímulos e fazer coisas diferentes com o cão.

Informações sobre socialização
Livros: 
Cão de Família. Alexandre Rossi; Alida Gerger
Rio de Janeiro: Agir, 2011

Canine and Feline Behavior and Training: A Complete Guide to 
Understanding Our Two Best Friends. Linda P. Case
Delmar, Cengage Learning, 2010
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2 thoughts on “Socialização da Madalena

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